Gostaria de não ter lido o jornal hoje
escolho a ignorância, a hipocrisia
antes viver na felicidade sonhadora
de todos aqueles que se rendem
à ter de sofrer a ardência nos olhos
que a verdade nua e crua traz
a violência das esquinas
os cantos afiados
prontos para o assalto
levam minha paz
minha vida, em pedaços
tiram dos meus braços
a força que restou
quarta-feira, março 23, 2005
terça-feira, março 15, 2005
quarta-feira, março 09, 2005
para ser minha
Viva intensamente
e não olhe para trás
guarde apenas o amor
aprenda a viver em paz
e seja independente
roube
a loucura dos pintores
a selvageria dos tigres
o tempero do mar
a melodia dos pássaros
a serenidade dos rios
a solidez das montanhas
o calor das praias
e o amor
de todas as pessoas
pra dividir comigo
e não olhe para trás
guarde apenas o amor
aprenda a viver em paz
e seja independente
roube
a loucura dos pintores
a selvageria dos tigres
o tempero do mar
a melodia dos pássaros
a serenidade dos rios
a solidez das montanhas
o calor das praias
e o amor
de todas as pessoas
pra dividir comigo
sexta-feira, março 04, 2005
Destinos
Estava lá.
Um castelo, enorme e maravilhoso como qualquer construção que abriga em sua estrutura a força de rochas ancestrais. As pedras carregam consigo uma certa energia natural que imputa a construção uma poderosa aura de monumento universal, uma essência fundamental que toca nossas almas naquele ponto onde elas se encontram com todo o resto.
Parecia ter estado sempre ali, como se fizesse parte de todo o conjunto do vale. Fazia um conjunto perfeito com o leito estreito do rio e os dois salgueiros que se intrometiam pela extremidade sul da construção. As pessoas caminhavam com certa apreensão, pois o céu prenunciava ruidosamente o avanço de uma tempestade. As moças seguravam seus chapéus e se apressavam para entrar enquanto os homens faziam as tarefas como usual. Notava-se uma pequena diferença, pois colhiam um pouco mais de lenha que o habitual, de modo que não faltasse caso a chuva perdurasse mais de um dia. Além desses poucos preparativos, a vida seguia seu curso de forma perfeitamente normal.
No entanto, a surpresa veio bem devagar. Chegou estampada em branco nos pequenos flocos de neve que brotavam da imensa massa cinzenta que agora estampava todo o céu.
Meus olhos lacrimejaram num segundo, pois não podiam crer naquilo que se apresentava perante a sua insignificância. Agora não se via mais o Castelo, nem o vale, nem mesmo os Salgueiros... só a imensidão alva que se estendia como um lençol sobre toda a terra.
Foi a última coisa que vi.
E depois de séculos, o Castelo ainda está lá. Outros olhos agora contemplam suas magníficas linhas, que continuam belas como naquela tarde de inverno.
Um castelo, enorme e maravilhoso como qualquer construção que abriga em sua estrutura a força de rochas ancestrais. As pedras carregam consigo uma certa energia natural que imputa a construção uma poderosa aura de monumento universal, uma essência fundamental que toca nossas almas naquele ponto onde elas se encontram com todo o resto.
Parecia ter estado sempre ali, como se fizesse parte de todo o conjunto do vale. Fazia um conjunto perfeito com o leito estreito do rio e os dois salgueiros que se intrometiam pela extremidade sul da construção. As pessoas caminhavam com certa apreensão, pois o céu prenunciava ruidosamente o avanço de uma tempestade. As moças seguravam seus chapéus e se apressavam para entrar enquanto os homens faziam as tarefas como usual. Notava-se uma pequena diferença, pois colhiam um pouco mais de lenha que o habitual, de modo que não faltasse caso a chuva perdurasse mais de um dia. Além desses poucos preparativos, a vida seguia seu curso de forma perfeitamente normal.
No entanto, a surpresa veio bem devagar. Chegou estampada em branco nos pequenos flocos de neve que brotavam da imensa massa cinzenta que agora estampava todo o céu.
Meus olhos lacrimejaram num segundo, pois não podiam crer naquilo que se apresentava perante a sua insignificância. Agora não se via mais o Castelo, nem o vale, nem mesmo os Salgueiros... só a imensidão alva que se estendia como um lençol sobre toda a terra.
Foi a última coisa que vi.
E depois de séculos, o Castelo ainda está lá. Outros olhos agora contemplam suas magníficas linhas, que continuam belas como naquela tarde de inverno.
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Apenas palavras
lanço as palavras
aguardo imensos segundos até que venham as respostas
que não me respondem, não comunicam
apenas dizem o que não sei compreender
aguardo imensos segundos até que venham as respostas
que não me respondem, não comunicam
apenas dizem o que não sei compreender
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
sexta-feira, fevereiro 11, 2005
A linha
e em hora tardia
busca a chama e chama
e grita, em silêncio
e fica
o som cessa, foge, distancia
e simplesmente falta, energia
e novamente tenta, sem tentar
e sem querer, agora quer
o que não pode ter
e finalmente vai
deixa uma presença incômoda
e nem a presença é bem vinda
querida
pois o relógio dita
a vida, aflita
busca a chama e chama
e grita, em silêncio
e fica
o som cessa, foge, distancia
e simplesmente falta, energia
e novamente tenta, sem tentar
e sem querer, agora quer
o que não pode ter
e finalmente vai
deixa uma presença incômoda
e nem a presença é bem vinda
querida
pois o relógio dita
a vida, aflita
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
E o vento sopra...
Sempre gostou de funerais. Acreditava que ali as pessoas não conseguiam mentir. E que as pessoas estavam sempre mais bonitas para o último adeus.
Implicava com aqueles que insistiam em achar que ainda haviam coisas a serem feitas. Como se o círculo já não houvesse se fechado. E se houvesse insistência, era então a dela de sorrir mesmo que as lágrimas dessem o tom.
Preferia quando não se falava muito, mesmo gostando de certas histórias de tempos atrás. E pensava sempre que devia ter vivido no passado.
Levava consigo um retrato. Guardado no bolso, perto do peito.
Implicava com aqueles que insistiam em achar que ainda haviam coisas a serem feitas. Como se o círculo já não houvesse se fechado. E se houvesse insistência, era então a dela de sorrir mesmo que as lágrimas dessem o tom.
Preferia quando não se falava muito, mesmo gostando de certas histórias de tempos atrás. E pensava sempre que devia ter vivido no passado.
Levava consigo um retrato. Guardado no bolso, perto do peito.
sábado, janeiro 22, 2005
É sempre cedo para te ver partir
levando contigo minha vontade de velar teu sono
e a vontade de te ouvir dizer
o que somente tua boca sabe
pois a minha leva a verdade à sério demais
Venham todos e sirvam-se
levem o que quiserem, fiquem à vontade
não se preocupem com a bagunça
o tempo se encarrega disso
O vento sopra forte
imita o pulso do coração
a pele ainda não leva a marca
levando contigo minha vontade de velar teu sono
e a vontade de te ouvir dizer
o que somente tua boca sabe
pois a minha leva a verdade à sério demais
Venham todos e sirvam-se
levem o que quiserem, fiquem à vontade
não se preocupem com a bagunça
o tempo se encarrega disso
O vento sopra forte
imita o pulso do coração
a pele ainda não leva a marca
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Sinfonia
A música nasce irriquieta sob a pressão de peças tão díspares. Apontadas de modo acusador por mãos trêmulas, que sobrevoam feito um gavião, descendo ferozmente ao encontro da presa escolhida. E tal qual um animal abatido, soa forte um brado furioso, erguendo uma voz única. E segue-se então um coro, de feitio similar a um tecido, tramado cuidadosamente sobre a manta do tempo, servindo de leito à melodia que desliza suave, obedecendo somente à textura dessa trama. O tecido então molda-se à forma de uma montanha de geografia intensa, com elevações rápidas e depressões íngremes. A melodia sobe então hábilmente, refazendo esses contornos rochosos e seguindo até o topo gelado.
Queda.
Silêncio.
Queda.
Chão.
sábado, janeiro 15, 2005
Descaminhos
Sigo ouvindo teus chamados
E a cada pedido, a cada contato
O que ficou pelo chão
Me impede de seguir adiante
E se os caminhos que traçamos antes
Não seguirem mais paralelos
Que os cruzamentos ao menos
Amenizem as distâncias
E se o sangue revela a mentira
O peito prova o contrário
Pois quem habita estas paragens
Não fica sozinho jamais
E a cada pedido, a cada contato
O que ficou pelo chão
Me impede de seguir adiante
E se os caminhos que traçamos antes
Não seguirem mais paralelos
Que os cruzamentos ao menos
Amenizem as distâncias
E se o sangue revela a mentira
O peito prova o contrário
Pois quem habita estas paragens
Não fica sozinho jamais
sábado, janeiro 08, 2005
quinta-feira, janeiro 06, 2005
E enquanto olho teu retrato, teus olhos ainda parecem os mesmos
mas a mentira estampada no filme se revela pelo tempo que nos impõe o hoje
como a verdade absoluta que descarta o que fica pra trás
dissipa tudo o que pode vir a ser
O que pensas saber sobre mim
é nada mais que uma sombra qualquer
é como teu retrato, que pinta uma mentira disfarçada
pois tua memória vive num passado inexistente
Pois o hoje é
e nada mais
mas a mentira estampada no filme se revela pelo tempo que nos impõe o hoje
como a verdade absoluta que descarta o que fica pra trás
dissipa tudo o que pode vir a ser
O que pensas saber sobre mim
é nada mais que uma sombra qualquer
é como teu retrato, que pinta uma mentira disfarçada
pois tua memória vive num passado inexistente
Pois o hoje é
e nada mais
segunda-feira, janeiro 03, 2005
Seis Dias
Teus passos, lentos,
Guiam-se pelo céu
Meu choro, leve,
Esvai-se pelo ar
Em meu leito, ao vento
Espero-te,
Sem mesmo saber esperar
Teus reinos são
teus pensamentos
E preciosas são
tuas dádivas
E enquanto no peito
Guardo um coração quente
Uma saudade ardente
Aguardo-te a voltar
Guiam-se pelo céu
Meu choro, leve,
Esvai-se pelo ar
Em meu leito, ao vento
Espero-te,
Sem mesmo saber esperar
Teus reinos são
teus pensamentos
E preciosas são
tuas dádivas
E enquanto no peito
Guardo um coração quente
Uma saudade ardente
Aguardo-te a voltar
quinta-feira, dezembro 30, 2004
Dèja-vu
Tuas lágrimas selam a sinceridade da mensagem. Teus olhos são os portadores de uma verdade que o tempo marcou na pele.
Quando me diz do medo, entendo.
Quando me diz da incompreensão, compadeço.
Quando me diz do futuro, rateio.
Sei que o que guardas no peito, é teu tesouro inexpugnável.
É o ouro tão pesado quanto belo. Tão precioso quanto cobiçado.
Não deixe o peso te cansar ao ponto de esquecer-te das belezas.
Pois estas verá com teus olhos que carregam a verdade.
Quando me diz do medo, entendo.
Quando me diz da incompreensão, compadeço.
Quando me diz do futuro, rateio.
Sei que o que guardas no peito, é teu tesouro inexpugnável.
É o ouro tão pesado quanto belo. Tão precioso quanto cobiçado.
Não deixe o peso te cansar ao ponto de esquecer-te das belezas.
Pois estas verá com teus olhos que carregam a verdade.
sábado, dezembro 25, 2004
terça-feira, dezembro 14, 2004
O último samba
Acabou-se.
Findaram-se os lamentos, secaram as lágrimas e fecharam-se as feridas.
Estas são as notas do meu último samba.
Meus versos agora vem em outro ritmo, outra harmonia.
E se a tristeza quiser voltar, não serei eu a cantar.
Só farei a melodia, que a certeza de outro dia é a força de viver.
Findaram-se os lamentos, secaram as lágrimas e fecharam-se as feridas.
Estas são as notas do meu último samba.
Meus versos agora vem em outro ritmo, outra harmonia.
E se a tristeza quiser voltar, não serei eu a cantar.
Só farei a melodia, que a certeza de outro dia é a força de viver.
sexta-feira, dezembro 10, 2004
a negra comitiva atravessa as águas
carregando consigo o anúncio
de que a jornada se encerra com o suspiro
e os passos largos dos enlutados
mostram a pressa que a vida tem de seguir
e no entanto, alguns insistem em agarrar instantes
e torná-los eternos na sua volatilidade
e se a loucura segue a comitiva de perto
o amor está entre eles
mesmo sem ser notado
Funeral Blues
W. H. Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let the aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He ls Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West.
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever:
I was wrong.
The stars are not wanted now:
Put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean
and sweep up the wood;
For nothing now
can ever come to any good.
carregando consigo o anúncio
de que a jornada se encerra com o suspiro
e os passos largos dos enlutados
mostram a pressa que a vida tem de seguir
e no entanto, alguns insistem em agarrar instantes
e torná-los eternos na sua volatilidade
e se a loucura segue a comitiva de perto
o amor está entre eles
mesmo sem ser notado
Funeral Blues
W. H. Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let the aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He ls Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West.
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever:
I was wrong.
The stars are not wanted now:
Put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean
and sweep up the wood;
For nothing now
can ever come to any good.
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